Ah, o happy hour…

É impressionante como a minha internet teima em falhar aos domingos. 

 No dia em que eu estou em casa, sem absolutamente NADA a fazer a não ser coçar freneticamente o meu saco, a porra da minha conexão de internet cai sem motivo aparente. Daí, não cumpro a promessa de escrever algo novo no blog e todos pensam: ‘ah, o Adriano é um vagabundo!’ Não que eu não seja um, mas adoro escrever idiotices, em vez de coisas interessantes para a minha ascensão profissional – e faço questão de atualizar o Quengaral quando tenho a oportunidade.    

De qualquer forma, as imagens dos gráficos do último post tavam dando problema – aqui aparecia normal, mas em outros lugares, não – de qualquer forma, fiz upload das fotos na internet e espero que não dêem mais problemas. Apreciem sem excesso o próximo post também. E todos os outros. Continuando a série de posts sobre o trabalho, vamos falar hoje sobre o happy hour, momento mais sagrado do que o sábado judaico, o domingo cristão e a quarta do Zeca Pagodinho juntos.  A sexta-feira, para o trabalhador assalariado e universitário vagabundo, é o melhor dia da semana. Mesmo o sábado e o domingo servindo de descanso, não há nada melhor do que falar para o chefe ‘Tchau, seu filho da puta . Até semana que vem’ e não ouvir reclamações por dois dias, além de usar indiscriminadamente  twitter e orkut até dar gangrena nos dedinhos.     

 Após se despedir afetuosamente do patrão, você reúne a galerinha sedenta por uma cerveja para se sentar em algum moquifo qualquer – e aí começa a merda.   

A melhor opção para o seu HH, cara

A melhor opção para o seu HH, cara

 Comecemos por aí. Assalariados, em um país como este, em sua maioria não têm muita grana. Nada de tomar uma Heineken no lugar mais legal. O esquema é se dirigir ao boteco mais precário possível, que provavelmente reúne as cervejas mais baratas – e nojentas – da borda oriental desta galáxia, e pedir uma deliciosa cerveja Glacial, que custa módicos R$ 0,84. Como trabalho na Avenida Paulista, isto fica bem aparente: em vez de ir ao O’Malley’s, tomar uma bela cerveja alemã de trigo e deixar metade do meu salário em meia-hora de conversa, o melhor é ir para a Rua Augusta, dar um alô a todos os modernetes alternativos e aos mendigos xexelentos, sentar em uma mesa no meio da calçada e gastar entre R$ 5 e R$ 10, sem comer as tóxicas batatinhas que servem nestas paragens.  

 Depois de devidamente instalados, os heróis do happy hour começam com o brinde. Nunca ninguém tem porra nenhuma para brindar, mas para fugir da máxima ‘beber sem brindar é sete anos sem bimbar’, todos brindam à saúde de uma bela puta que um dos componentes da mesa afogou o ganso recentemente e tudo fica bem. As meninas se sentem mal com o motivo do brinde, mas que se foda. O que interessa é bimbar, e sete anos sem uma fodinha ninguém merece.  O engraçado é que todo happy hour tem uma espécie de pauta, com assuntos que nunca podem passar batido. Vamos enumerar alguns.   

 A gostosa da empresa, por exemplo. Papo basicamente que interessa aos homens, mas que também tem a participação feminina. É fato que TODA EMPRESA tem uma mulher genuinamente gostosa. Os homens dizem basicamente ‘que a Jucineide é gostosa’. Enumeram, posteriormente, todas as formas possíveis e imagináveis, catalogadas ou não no Kama Sutra, de ‘puxar o fole e tacar o pau’ com a dita cuja. As mulheres, óbvio, atacam a imaculada gostosona, pois ‘ela tem celulite, só vocês [homens] que não veem’. ‘Ela é falsa, dissimulada, e além de tudo faz Unip’.  Tá, mas como as meninas viram que a gostosa tem celulite, ao contrário dos homens, por baixo daquele vestido ou daquela calça jeans tão apertada que sufoca os tão bem contruídos glúteos da moça? E daí que ela é falsa, dissimulada e faz Unip? Ninguém negou tais informações. O que interessa é que é gostosa e o resto é que se exploda.  Elas até tentam passar a conversa para o time que elas curtem: ‘ahm, mas o Denílson é um gato. Forte, musculoso e inteligenteee… s2’ . Os homens rebatem com o polivalente ‘Ele é um filho da puta’ e a conversa acaba aí. Todos os homens são iguais. Não prestam. São filhos da puta. Homem é uma merda – por isso, eu gosto de mulher.   

'Eu tenho certeza que aquela vodka é jurupinga!'

'Eu tenho certeza que aquela vodka é jurupinga!'

Depois que falar que determinada guria é gostosa, todos colocam em prática a arte de falar mal dos outros. Todos, com exceção de quem está sentado na mesa, são completos filhos da puta, no nível de apedeutas como Gilberto Kassab e o mackenzista Boris Casoy. A funcionária X é falsa, o funcionário Y quer pagar de engraçadão mas todos acham um saco, a auxiliar de limpeza W não limpa bem a bosta da privada, o aparelho de telefone não funciona bem, o Outlook é uma bosta, e etc.. No happy hour, você passa a perceber que, se todos são tão maus assim, quem está na mesa é fofoqueiro e falso. Aliás, você não percebe porra nenhuma, porque está ficando quase que embriagado e é aí que o happy hour começa a foder a sua vida.  Você começa a falar mal da pessoa que todos, até mesmo deus e nosso senhor jesus cristo, odeiam pra caralho: o chefe. O problema é que sempre terá um na mesa que será tão filho da puta que contará ao desgraçado chefe ‘que falaram mal dele e eu, como gosto muito de você, resolvi te contar… os que te odeiam são a Griselda, a Jalapeña e o Katiuscio’. Depois, o traidor coloca a culpa exatamente no álcool por acabar soltando a língua para o desgraçado que te paga prodigiosamente mal.  Aqui fica o toque: cuidado com quem você convida para a sua Hora Feliz. Como a cachaça vai fazer você falar merda mesmo, tenha confiança nos seus colegas de trabalho bar.  Após falar mal do filhodaputadetentordosmeiosdeproduçãoburguêsmackenzista, todos começam a cogitar eventuais fodas selvagens romances que podem acontecer entre os funcionários da empresa. Como em qualquer aglomeração humana, as pessoas tendem a querer se comer, mas como no trabalho temos que manter uma postura um pouco mais defensiva,  para não acabar demitido, todo relacionamento do tipo deve se desenvolver o mais longe possível do trabalho. Aliás, a chance de isso acontecer é bem remota. Mas tá todo mundo louco já, então que se foda! Um idiota pega o netbook, ou pede um guardanapo e uma caneta do garçom, que provavelmente é cearense e tem um parentesco distante comigo, para fazer uma tabelinha com os casais que podem/poderão se formar.      

Quanto mais álcool, maior a probabilidade de surgirem casais completamente absurdos e sem chance nenhuma de dar certo. Nesta fase é que alguém sugere que algum funcionário da empresa, ou mesmo o chefe, é homossexual. Aliás, toda empresa tem o seu homossexual, sabe, aquele que você sempre desconfia, mas que você nunca vai saber em que time joga, até que sua esposa sugere, dez anos depois, uma visitinha na Bubu Lounge, onde você encontra o tal funcionário em carícias explícitas com um indivíduo do mesmo sexo, tira fotos, grava vídeos, faz um perfil no Facebook e posta tudo, com a desculpa que ‘eu neeeem tenho preconceito, só que ele era falso, dissimulado e fez Unip’. Ah, tá. Acredito.    Depois disso, os que bravamente continuam sua batalha com as cervejas Glacial, que agora descem como água, começam a falar merdas tão grandes que não faz sentido citar. Posteriormente, um imbecil tenta paquerar a garota bonitinha que está ao seu lado, acariciando suas coxas e fazendo uma cafajeste cantada ao seu ouvido. Como ninguém gosta que te falem ‘Sua cachorrinha telefone’ com um bafo de cerveja, fritas, salame e marlboro light no seu ouvido, a possibilidade de um tapa inesquecível, para a alegria do resto da galera, é enorme. Aliás, na segunda-feira o papo das panelinhas setoriais é ‘a bota que o Francileudo levou da Guinevère foi histórica. As fotos estão no meu email. Quer que eu te mande?’      

Após a paquera, todos já estão bêbados, mas rapidamente voltam à lucidez assim que reparam que há 210 garrafas de cerveja que devem ser pagas, além dos incontáveis pacotes de amendoim e das porções gordurosas. Exatamente neste momento, um filho da puta se levanta e se despede, dando aquele migué para não pagar nada. Bravos cavalheiros, no máximo três, são os responsáveis por pagar a conta e os 10% que o meu primo, o garçom, deve receber por taxa de serviço.  Após saírem do happy hour, todos voltam para casa com uma incontrolável vontade de mijar, fazendo a sua bexiga sofrer como nenhum outro órgão já sofreu na História. Mas isso fica para outro dia.           

'Vou levar o meu filho e este veadinho para o Happy Hour Celestial. Flw, bj.'

'Vou levar o meu filho e este veadinho para o Happy Hour Celestial. Flw, bj.'

 Basicamente, se houvesse um Paraíso após a morte, gostaria que vivêssemos um eterno happy hour, sem medo de mulher brava, trânsito e blá, blá, blá. Um lugar onde a porção de salame não engordasse e que em vez de pobres mendigos, leões nos abordariam nas mesas para serem acariciados – como naquelas gravuras que os Testemunhas de Jeová distribuem nas ruas aos domingos, às 4:30h da madrugada. Neste happy hour, o chopp seria Guinness e todos pagariam a conta com cocô, a unidade monetária primitiva utilizada no Céu. Neste momento, nosso chefe estaria no Inferno, sendo enrabado por Satanás. Legal, né?

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2 Comentários

  1. Po Ce, mancada eu (Griselda) fazer parte do post hazuahusahuas eu nao te odeio poxa hahahahahaha s2

  2. Putz, só agora me liguei no Chico… hahahahaha!
    E Guinevère foi fogo… hauheuauehauhea!
    Beijo Dri!


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