A 5ª série…

Mano, o cara tira foto com um coelho!

Mano, o cara tira foto com um coelho!

Eu havia prometido, em algum post antigo, fazer um post especial sobre a 5ª série. Entenda este termo como a fase em que você não é uma simples criança e nem um adolescente completo, não passa de um ordinariozinho com três ou quatro pentelhos nas bolas ou dona de um sutiã que é tão folgado quanto um pára-quedas, naqueles seios tão grandes quanto ameixas haitianas. Foda-se se esta fase foi na quarta ou na sexta. A quinta-série é sempre o período mais marcante do Ensino Fundamental. Entre 10 e 12 anos, você descobre que sente atração por pessoas do sexo oposto (ou não…), larga os brinquedos e passa a se divertir sozinho no banheiro, se você é um garoto, ou a beijar garotos mais velhos, se você é uma guria. É tanta coisa que não cabe em um simples lead. Vamos divagar um pouco mais sobre tudo isso e colocar um pouco de nostalgia neste coração de pedra? 

A 5ª série é o período em que você acha que deixou a infância e pensa que é um adolescente – como disse, você não passa de uma criança com pêlos novos (que bela definição antropológica, diga isso ao seu irmão ou àquele primo chato). Não precisa nem citar toda aquela patota que você ouvia nas aulas de educação sexual (que, aliás, serão abordadas aqui), de corpo mudar e etc.. disso todo mundo sabe. Vamos mais fundo nessa porra toda, fazer a penetração que não existia naquele período.

O bastão do prazer

O bastão do prazer

O que mais vem aos olhos é que, na 5ª série, TODO MUNDO É FEIO – ou, em casos extremos, é a fase mais feia da vida. Quem é gordo passa por um emagrecimento e estiramento que foge a todas as proporções. De um cotoco gordo, a galerinha passa a ser um bambu pálido e com aparência aidética. E aquelas espinhas nojentas? E nas meninas, ou os peito’ vem tudo de uma vez e você parece uma fusão de uma guria com um Vectra com um super air-bag, ou você parece uma tábua, daquelas que o Sonic pulava em seu saudoso jogo de mega-drive. Encher o sutiã de meias? Isso acontecia? É tão estúpido quanto colocar um pedaço de pickles em sua calça jeans molhada com a descoberta de seu novo brinquedinho, o joystick – em tradução livre, bastão do prazer. Isto basta.

As tais aulas de educação sexual sempre deixavam todo mundo ruborizado. Os garotos viam aquele pênis de plástico e se sentiam mal, porque seus membros apresentavam 7,25% do volume daquele monstro veiudo. As meninas imaginavam aquela peste de 19,68% adentrando suas bem cultivadas garagens e se contentavam com meros dedos e varetas. O pior era quando a professora pedia a um solícito aluno para colocar o preservativo no bilau, lembram? Se fosse um menino, este seria taxado de gay até a morte; se fosse uma guria, ela seria lembrada e chamada para todas as orgias a partir do ensino médio. As camisinhas doadas nestas ocasiões acabavam, quase que inevitavelmente, transformadas em divertidos balões de todos os sabores.

Os meninos sempre são mais subjugados que as meninas, pois seus corpos demoram a dar sinal de que estão mudando, ao contrário de suas coleguinhas. A falta de ‘instrumentos de trabalho apropriados’ faz com que um espírito de auto-afirmação tome conta dos garotos: eles devem provar, a todo momento, que são machos e legítimos fodedores. Todo e qualquer motivo é pretexto para se questionar a sexualidade dos amiguinhos. Surgem as frases de duplo sentido, os apelidos e toda a sorte de mecanismos necessários para devastar qualquer possibilidade do garotinho comer alguém até os 19 anos, no mínimo. Enquanto os garotos passam por problemas, as meninas começam a dar bola para os meninos da sétima série, que sofreram o mesmo há dois anos e querem beijar qualquer coisa e mandar o BV para o inferno do raio que o parta.

Eu sei que você assistia! MWAHAHAHA

Eu sei que você assistia! MWAHAHAHA

A única possibilidade de um garotinho beijar uma menina é aproveitar as gordinhas safadinhas (também conhecidas como gatorréis) que não pegam nem os rapazes da sétima e convidá-las para o jogo ‘verdade ou desafio’, embrião do ‘strip poker’ que eles farão em um futuro não tão distante. A única possibilidade de um garoto ver uma mulher pelada, com exceção de sua mãe, é através de pornografia irregular. Na minha quinta-série, o computador não estava difundido nas paragens do Sacomã e eu não tinha acesso a canais pagos como a Playboy TV, o que fazia com que eu e metade da humanidade acordasse às 2h do sábado para ver Emmanuelle, uma mocinha que mostrava os peitos em filmes que, no fundo, não mostravam porra nenhuma. Até seu namorado, que você pensa que é crente, cansou de ver Emmanuelle e fez alguns calos pensando nela em momentos de intimidade.

A 5ª série também origina o crescente sentimento de diferenciação que se reforça aos 14, 15 anos. Nesta idade, todo jovem quer pertencer a alguma tribo e se tornam posers para entrar em algum grupo e se sentirem alguém na vida. Isto fortalece a minha tese de que TODOS NASCEM PAGODEIROS, apesar de desviarem do caminho do lararararalalaraiá em momentos oportunos da vida. A galera passa a vida ouvindo todo o gosto nojento dos pais, aí chegam na quinta-série e viram emos, revoltados, góticos, emos fluorescentes (como este tal de Restart aí), querem ser vampiros e um monte de coisa. No meu caso, como eu sou morador do Sacomã, passei por uma fase proto-mano, com roupas largas, boné de aba reta e muito Snoop Dogg no Discman (eu sou velho, jovem padawan!). Assim como eu, toda esta patota de emuxos foi se desintoxicando, começou a ouvir pagode e acabou engravidando de algum idiota por aí. Mas isto fica para o post sobre o 1° colegial!

Como se eu ouvisse pagode. Hahaha

E as matinês nojentas? Eventos em que uma cambada de crianças se vestem como gente grande e promíscua, para beijar e ter overdoses cavalares de batida de mamão e sorvete de flocos! As menininhas enchem o saco dos papais que, recatados como são, acham estranho as crianças se vestirem como prostitutas populares do Baixo Augusta e voltarem, após da festa, achando que estão bêbadas por causa da enorme quantidade de vitaminas e frapês consumidos ‘no rolê’. E os eventos de anime? Ah, isso é coisa de adulto que acha que não cresceu e tem overdose de Mupy. Esquece.

E o pior é que a minha 5ª série, com tantas desventuras, consegue ser mais de boa do que as porras que vemos por aí. No meu tempo, a galera lia a Recreio; hoje, compram a Capricho e se deliciam com garotos com cabelos de Lego que futuramente serão usuários compulsivos de cocaína e doce pra caralho no cu. E eu ainda acho que É o Tchan e P.O. Box, as bandas top na minha época, são muito mais educativas que a tal Família de Restart. A 5ª série, como diria uma dessas gurias 5ª série (sei, fui redundante)…

Na 5ª série, seu cérebro era como o deles

Na 5ª série, seu cérebro era como o deles

É UMA PUTA FALTA DE SACANAGEM!

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6 Comentários

  1. aaaahhhh…
    ta animadinho agora pra postar eh??

    amei, e me rachei!

    realmente, eu ainda prefiro ouvir rouge a cine!

  2. Só jura que as duas primeiras fotos usadas não são suas! Nem o coelho e nem o joystick! rsss…
    Rachei de rir com o post! Mas confesso que tudo que a gente escuta na “5° série” não pode meeesmo ser chamado de “educativo”. Nem os pagodes, nem É o Tchan, nem Back Street Boys (confissão!), nem esses Emos, nem nada de nada.
    Em que “série” da vida a gente evolui musicalmente?
    Vai saber… Tomara que os hormônios sirvm pra alguma coisa!
    😉

    @thatypalhano

    • Bom, Larissa, o espírito tripudiador do Quengaral voltou a tomar conta de mim… em vez de jogar videogame, escrevo merda. Espero que você esteja satisfeita.

      Thaty, é um prazer te ter como mais uma leitora deste antro de improbidades! Nenhuma das fotos é minha. Não tenho coelhos e o meu joystick de videogame é um pouco mais evoluído. Se pá, dava pra fazer um post sobre várias fases da vida… boa pauta!

      Eu, posso falar por mim, comecei a direcionar melhor meu gosto musical lá pelo 1° colegial. Há uns dois anos, aí fodeu, comecei a ouvir progressivo e fritar loucamente com músicas que ninguém ouve, me tornando um nerd… ;D

      Beijos e keep on reading ;*

  3. Justo hoje que eu tava em um momento nostalgia (se bem que era um pouquinho antes da 5ª série).
    Me identifiquei extremamente com a parte ‘todos eram FEIOS’, poxa…que verdade!
    E hoje dá uma vergonha! HAHAHAHAHAHAHA

  4. Apesar de engraçado, esse post retrata uma realidade…
    Será que mudou tanto assim da nossa epoca pra cá maninho?
    sério, eu me assusto com essa garotada ai… hahaha
    imagine quando eles tiverem a nossa idade? =O
    m e d o
    melhor a gente morrer sem ter filhos, talvez…

    hahahaha

  5. Mano eu não consigo acreditar, às vezes, na sua capacidade de narrar o que todos passamos!
    Você é demais Cê!


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