Central da periferia

Vida loka cabulosa

Vida loka cabulosa

Vou começar o post de hoje contando uma historinha…

Antes de casar, um homem e uma mulher discutem sobre em qual lugar de uma cidade X eles irão arranjar uma casa, seja comprada ou não, para juntar os trapos, dar uma trepadinha e procriar uma, duas ou três vezes. Esta é uma escolha difícil, pois há um dilema: gastar uma montanha de dinheiro e comprar uma casa perto da civilização? Ou morar na puta que o pariu, porque falta dinheiro ou para economizar uma graninha para o futuro?

Hoje nos concentraremos no segundo caso, mais latente em nosso amado Brasil. Depois do levantamento antropológico no post da 5ª série, vamos estudar sociologicamente a “periferia”, que apresenta pontos semelhantes tanto aqui, no Sacomã, como em bocadas como São Miguel Paulista, Tremembé, Jova Rural, Vila Missionária, Jaguaré, Osasco, Itapevi e Rio Grande da Serra. Vocês não estão sozinhos. Até porque quem mora em Pinheiros e Vila Nova Conceição não sabe o que é viver a vida perigosamente…

Tudo isto aqui tem um pouco de preconceito. Mas a maioria é conceito formado mesmo. Não leve a sério, até porque nada aqui é, ok?

Primeiramente, a palavra “periferia” indica algo afastado, longe das atenções. Termo perfeito para todos estes bairros inóspitos que eu citei acima e muitos outros mais, que eu esqueci ou não tenho a menor ideia se existem. A casa é longe, o comportamento é distinto, o som, a forma de levar o mundo e tudo o mais. É um choque para o classe-média que freqüenta e um tormento para o morador da periferia que é bem diferente do resto dessa galerinha vida loka, o que é o meu caso.A periferia, hoje, é um bairro-dormitório. Basicamente, não tem porra nenhuma nesses lugares: as pessoas trabalham a 300 milhas de distância e vão à perifa só pra dormir. A zona leste no geral é assim, o que faz com que 12 milhões de pessoas saiam às 6h da manhã de casa, entupindo a linha vermelha do metrô, os trens da CPTM e aqueles simpáticos ônibus vermelhos e amarelos. Infelizmente, este povo perde no mínimo duas horas do seu dia empoleirado nos balaústres dos meios de transporte. Como o ser humano em si é adaptável, essa galerinha muito louca tenta aproveitar este tempo ocioso comendo bolachas e jogando o farelo nos outros passageiros, lixando unha, comendo cutículas, passando gelol no pé,conversando a 115 decibeis com suas vizinhas de Guaianazes até o Itaim Bibi, peidando e passando a mão na bunda das moças mais ou menos. O problema é que esquecem de passar desodorante. Imagine, amigo que anda de carro, um ônibus com mais de 70 pessoas falando como se estivesse na feira do rolo e fazendo este amontoado de diabruras. Puta merda. Tempere isto com pitadas de falta de educação: empurrões, cotoveladas e toda a sorte de xingamentos disponíveis no Universo. O inferno é na Terra, não acredite nos pastores que tentarão te evangelizar enquanto toda essa porra acontece à frente de seus olhos.
Rumo ao Tatuapé, caralho! 

Na periferia não tem PSIU (que é aquela medida da prefeitura de não ter barulho após a 1h da manhã), nem lei anti-fumo, nem lei seca e não precisa de habilitação pra pilotar carros e capacete pra andar de moto. Parece a cidade de Albuquerque, no meio do Texas, no século XIX. Uma cidade sem lei, onde quem manda são os bandidos. Sorte que agora, os traficantes são sempre simpáticos e estão loucos para ajudar as pessoas doando quantidades cavalares de droga aos moradores da região.

É impressionante como, nesses lugares, até as tiazinhas são mais ranzinzas. Sabe aquelas tiazinhas que são tão chatas que você dá o seu lugar para elas no ônibus e ainda te xingam por usar roupas “estranhas e que atentam à moral” e que são as únicas pessoas no mundo que ainda votam no Paulo Maluf? Então, elas são piores na periferia. Reclamam do barulho, dos evangélicos, dos políticos, da novela, do presidente Lula, da Revista Pandora e de tudo o que há no mundo. Eu acho que na periferia faltam pintos capazes de penetrar nestas grandessíssemas filhas da puta!

É imperativo também fazer um levantamento sobre o maior ícone periférico que existe: o mano.

Este biótipo é a personificação da periferia. Gostos musicais periféricos. Modo de se vestir periférico. Modo de falar periférico. Educação escolar do mesmo nível de um babuíno congolês. Um modelo social que assusta o mais “truta” dos pequenos-burgueses de Moema. Eles fazem exatamente o que o presidente Lula pede desde o começo da crise mundial: PEGUEM TODO O SEU SALÁRIO E O TRANSFORME EM MERCADORIAS! E assim eles fazem: recebem no dia 5 suados R$ 560 batalhados trabalhando como empacotadores em alguma mercearia de Perdizes e passam na primeira surfshop disponível. Lá, compram camisetas, calças, bermudas de surfistas, bonés, correntes, carteiras, chinelos e qualquer adereço que dêem a entender que esses lazarentos pertençam a algum status social elevado, parcelando tudo em 17x sem juros em seu Hipercard. Eles só esqueceram que rico não usa bombeta de aba reta da Onbongo – quem o faz é o 50 cent, que por sinal não mora nos Jardins. Rico veste Alexandre Herchcovitch, e não Mormaii. Eu visto C&A mesmo, e vou ao Brás uma três vezes por ano. Vamo comigo?

Outras constatações, que faço diretamente à Honda e à Sony Ericsson! Amigos, vocês tem alguma parceria com os manos da periferia? Porque é um absurdo! Como aquela cambada tem tanta moto? Vai em qualquer morro que você vai ver o mesmo número de moto que passa na Faria Lima o dia todo! E como essa galera compra tanto celular fodão? Este é um ponto importante. O fone de ouvido ainda não chegou até a periferia. Como irrita ouvir funk carioca, às sete da manhã, porque um filho da puta quer mostrar pra todo mundo que comprou um celular roubado? Ou pior, aquele intragável grupo de três ou quatro indivíduos que escutam, mais uma vez, funk carioca andando pela rua como se estivessem num videoclipe do Usher? Se eu fosse deputado, eu iria criar o ‘bolsa fone de ouvido’, que doaria um fone de ouvido a cada três meses para quem aparecesse no meu gabinete com um boné da Nicoboco e um Nike Shox de 8506 molas. Aliás, você pode ser, falar e vestir o que quiser.

MAS USA UM FONE DE OUVIDO, FILHO DE UMA FUINHA LÉSBICA!

 Para a alegria da burguesia, eles só mexem no Orkut, o que impedem de acabar chegando aqui neste blog (para eles, blog é uma comida húngara, tipo goulash) e o Twitter “é muito chato, truta. Cadê as imagi e as mina pá?”

O legal da periferia é a unidade que a porra toda tem. Já que o resto chique da cidade zoa, eles se unem para valorizar a região. Para isso, fazem festas onde uma felicidade lisérgica (adorei este adjetivo, inspirado neste videoblog) toma conta de toda a comunidade, com latinhas de cerveja custando míseros R$ 1,50. Até parece as festas da minha faculdade – a PUC é uma periferia, não? Cerveja e barata e maconha nas mesmas proporções -, mas com o som beirando ao satânico com muito funk e meninas transando na sua frente, com você chupando o dedo. Não sei como Deus ainda não mandou fogo nessa porra toda, tipo Sodoma e Gomorra. Mas tudo bem, no fundo todo mundo adora uma periferia… mas usem o fone, por favor.

E para fechar, uma pérola da periferia, dica da @larigutierres

Osasco é o Afeganistão, porra!

Cada uma que tem no mundo, véio… HAHAHAHA

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7 Comentários

  1. Quebrada querida e respeitada, pode crê que nós é o poder! Eu bato no peito, digo e confirmo, Sou Osasco até morrer!

    é nois!

  2. “E como essa galera compra tanto celular fodão? ” – sem mais

  3. Se Osasco é o Afeganistão, onde eu moro é o verdadeiro inferno!!!

    Hahahahaha…

    E dá-lhe busão azul lotado e muito Racionais…

    ZN é nóis!

  4. Ow, se liga meu. Com a exceção do transporte coletivo, que é mesmo uma porcaria, São miguel Paulista é firmeza. Vc ta fikando loko, ta exagerando, estereotipando de mais.

    • Talvez eu até esteja esteorotipando… São Miguel é longe pra cacete, mas não é tão ruim assim, assumo… mas a maioria do que eu disse eu mantenho meu ponto de vista. Abraços

  5. quebraada queerida 😉


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