Pagode na burguesia ou na Vila Mazzei

Pagode de pobre na região de Itapevi (SP)

Pagode de pobre na região de Itapevi (SP)

De uns tempos pra cá, eu comecei a sair mais à noite, balada, barzinho, essas coisas todas. Olha que fofo, deixei de ser um newbie que bebia como um idiota no Museu do Ipiranga, típico ato de iniciação à cachaça aqui na região, e passei a frequentar vários lugares legais e de segmentos completamente diferentes. Alie-se a minha emancipação ao fato de que trabalho no BaresSP, site relacionado com, pasmem!, bares, e passei a conhecer uma porção de lugar dos mais variados tipos. Hoje vamos fazer um levantamento de alguns destes lugares, de maneira preconceituosa e nada amigável, para que você pense bem aonde vai e passe a ficar todo o fim de semana em casa, vendo o Faustão e comendo ravioli preparado pela sua mãe.

Qual é o ritmo típico do Brasil? Isso mesmo, o samba! Engendrado no meio do ritmo com mais molejo e ziriguidum, temos o pagode, versão comercial, romântica e grudenta para você requebrar e fazer aquela mulata gostosa ir até o chão. Que beleza, não? Muita gente que eu conheço diz que não gosta de pagode, e sim de samba. ‘Ah, eu gosto de samba-raiz, Arlindo Cruz, etc.’. Sinceramente, eu acho que é apenas uma forma da galera não se misturar com a galera do pagode da laje. Vamos estudar um pouco essa merda toda?

A festa de pobre mais tradicional que existe é o pagode, seja ele quarta, quinta, sexta, sábado ou domingo. Todo dia é dia de festa e de cachaça. Vamos começar pelo pagode de pobre, que você encontra em toda a zona norte, sul (com exceção do Itaim e Vila Olímpia) e leste. Aqui, você paga a quantia de dez conto para entrar (se for mulher, entra de graça e ainda ganha um preservativo com cheiro de óleo de bacalhau) e paga apenas R$ 0,75 pela cerveja, que ainda por cima é Brahma, Skol… eles devem conseguir através de contrabando ou roubando caminhões na Dutra, já que em nenhum mercado você acha breja tão barato.

O Rei do Pagode de Pobre. Feio antes e depois da fama

O Rei do Pagode de Pobre. Feio antes e depois da fama

Em cima de um palco improvisado, reforçado com caixas de ovo e papel machê, um grupo de pagode comanda a festa, onde todo mundo dança e bebe pra caralho, porque se o goró tá barato tem que chapar mesmo. Grandes sucessos de bandas como Exaltasamba, Jeito Moleque e Katinguelê são lembrados. Normalmente, a galera é bem feia. As meninas usam dois quilos de condicionador para deixar as madeixas alongadas e apetecidas para que os rapazes, de boné aba reta, correntes feias e nike shox, possam jogar belos xavecos nelas. ‘Linda, a gente pode meter hoje no meu cafofo. Quer dar umazinha?’ é uma maneira delicada e educada de se cortejar uma garota e levá-la para a cama nestas circunstâncias. Ou pode tomar banho na caixa d’água com pessoas de uma simplicidade que salta aos olhos. No pagode de pobre, qualquer um pode sair batucando e fazer um show, até por isso você ver músicas de qualidade tão baixa nos botecos da Vila Mazzei.

As meninas vão pro pagode assim... QUE BELEZA!

As meninas vão pro pagode assim... QUE BELEZA!

Em contrapartida, temos o pagode de burguês. Na teoria, e falo sem rodeios, antigamente samba, pagode e essas coisas eram tidas como música de pobre e de gosto inferior. Porém, as pessoas mais chiques foram contaminadas pelo vírus do ziriguidum e passaram, também, a curtir e fazer festas do gênero. Lógico que a entrada não é de no máximo R$ 10, é o dobro, o triplo. E amigo, segura a carteira pra beber. Pagar R$ 5, R$ 6, em uma lata de cerveja é de foder – e, infelizmente, isto impede que os empacotadores e office boys de regiões mais carentes possam participar da festa. O pior é que a cerveja é Sol, parece mijo de cachorra. É o tipo de festa onde tem mais mulher gostosa no Brasil inteiro – porque assim, dinheiro traz beleza, mas tem gente com dinheiro que quer ser alternativo e fica feia pra caralho, mas os burgueses pagodeiros não são assim – deixando os bairros da zona oeste (que só presta porque tem baladas, pois ninguém mora lá) e os bairros da Vila Olímpia e Itaim, com cheirinho de mulher. O problema é que as meninas botam uns saltos enormes e fica difícil para baixinhos como eu cortejarem estes monumentos à beleza exterior. Isso também ocorre no chamado sertanejo de burguês, onde loiras vaqueiras com pernas enormes desfilam pela Barra Funda, deixando metade do bairro com vontade de trepar instantaneamente.

Em cima de um palco bem estruturado, um grupo de pagode comanda a mesa, onde todo mundo dança mas não bebe nada, porque o goró tá caro pra porra e eu só tenho R$ 50.Grandes sucessos de sambistas como Cartola, Arlindo Cruz e Zeca Pagodinho são lembrados. As pessoas têm carro, o que permite que elas vão para o motel, ou se peguem firme no carro mesmo, se o mesmo custar mais de R$ 50000. Uma grande diferença entre os dois é que o pagode de pobre não tem hora para acabar – ou então, dura enquanto a cerveja barata. De acordo com o tamanho do carregamento de cerveja que a galera interceptou, a festa pode durar dois meses, com camelôs servindo refeições no meio da festa e sujando o chão de farofa de frango. O pagode de burguês acaba às 4h da manhã e FODA-SE se você vai voltar de metrô, porque a maioria tem carro e mora perto mesmo…

A título de curiosidade, há uma dica para você dar um nome ao seu grupo de pagode. Há algumas maneiras básicas, genéricas, de se consguir um nome super criativo para seu conjunto.

1) Junte um adjetivo forte e um substantivo terminado em ão. Por exemplo, Infinita Tentação, Fina Batucada, Requinte da Paixão, Falecida Conceição e Catchup com Feijão são bons nomes que ainda não lembraram de colocar em um dos 12349430348 grupos de pagode.

2) Uma só palavra, terminada em ão: Resignação, Sensação, Batucação, Pavão e Caminhão são bons nomes.

3) Uma só palavra, sendo uma onomatopeia com toque africano. Parakundê, Ziriguipracundá, Xapurituntá, Laralaiá e muitos outros dão um toque original à porra toda.

Dá pra fazer um monte de nomes, mas eu não tenho o remelexo necessário para pensar nestas coisas, e tô ouvindo Steppenwolf, que é muito melhor que Inimigos da HP – aliás, para dar um nome destes para um grupo, esses boys do caralho deveriam ser inimigos da sociedade. Puta que o pariu!  Toda essa dicotomia pobre / burguês também acontece em outros lugares, como o forró de burguês e o já citado sertanejo de burguês. Poderíamos falar sobre isso, e sobre todos os outros ritmos musicais, desde os amantes do psy trance e da LSD aos nerds que amam Genesis e Rush, o rock progressivo, o mais nerd e gordos dos ritmos. Iupi! 

Vamo todo mundo sambá! O mais difícil é escolher qual tipo você prefere… mas dane-se, bom é ser feliz com Molejão!

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2 Comentários

  1. aushuashuashasuhasuh

    vc tah com a inspiração mesmo nesses míseros últimos dias de férias hein…nossa…

    amei!

    e ps, eu amo PAGODOEEE…exalta, jeito moleque e a porra toda!
    hahaha

    • Hahuahuahuahauuhauhuahahauuahuaha

      O melhor post q eu li no último mês!! Quero saber mais sobre sertanejo de burguês e forró tmbm… hehehehee


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