Ensaio sobre o tédio

Estou de férias e amanhã é véspera de feriado. O desemprego que não termina causa uma falta de dinheiro que chega a doer na alma – não tem dinheiro pra uma porra de um Chicabon. Sendo assim, sem nada pra fazer, sem dinheiro e sem amigos para tentar matar o tempo em algum piquenique sem graça no Ibirapuera, tenho que me entregar à amarga sensação do tédio.

Estou em brasas de tão animado

Talvez eu seja um cara que não pode ficar parado porque é pobre proativo. Sabe, daqueles que ficam falando ‘não sei o que fazer em casa?’. Tipo o seu pai, que parece um corpo estranho na sua casa com aquelas roupas civis, sem o seu uniforme de torneiro mecânico… eu sou tipo assim, fico tomando café e pangolando pela casa. Não sei se é pior agora ou quando era mais novo, porque naquela época quaisquer cinco minutos livres era motivo para fazer justiça com as próprias mãos.

Aliás, brincar de Power Ranger, de 5 contra 1 ou o termo que você bem entender (isso é blog de família) é algo que realmente mata tempo, mas é algo que vai ficando sem graça com o tempo. Aliás, não tenho ideia porque eu estou falando disso, mas foda-se. O que interessa é que o tédio me está me corroendo por dentro.

Começo a entender o significado daquela pesquisa que dizia que pessoas entediadas tendem a morrer mais cedo. Pelo que parece, elas largam a bronha e assim que se tornam adultos passam a desfrutar de dorgas altamente destrutivas, como orégano, açúcar de confeiteiro e balas de coco. Felizmente, sou moralista e pobre demais para me dorgar, e tenho que procurar alternativas que me permitam viver pelo menos até que eu consiga colocar no mundo alguns filhos, pois morrer cedo e não deixar descendentes de alguém tão brilhante quanto eu seria uma tragédia para a humanidade.

Um dos meus maiores aliados contra o tédio é a televisão, repleta de conteúdo educativo e emancipador para o homem pós-moderno. Os comunistas da minha faculdade adoram falar em pós-modernidade. Eu já acho que depois da Idade Moderna vem a Idade do Tédio, chata como o programa do Didi. Aquele velho filho da puta…

Comeu Palhacitos, filho da puta?

Começo o meu dia tendo que escolher entre ver um programa sobre futebol com o Ronaldo Giovanelli ou com o Neto. Uma excelente escolha para um palmeirense, e pior, que estuda jornalismo e vê que pessoas que falam português intermediário estão tomando uma vaga que poderia ser minha. Já que ninguém sabe nada de futebol, vamos pelo menos falar direitinho, vai…

Após tudo isso, tenho que assistir aos Power Rangers. Aliás, quer coisa mais entediante que essa porcaria? Há 114 anos, é sempre a mesma coisa. Um monstro bate, apanha, fica gigante, Megazord, explosão e milk shake no Giga Byte na Alameda dos Anjos. Acho que só alguém com muito tédio para dar moral àqueles jovens coloridos que quando apanham emanam faíscas como um liquidificador com uns pregos dentro, tipo o carro do Nigel Mansell, vão à merda!

As coisas melhoram com a novela! Ah, a nostalgia vem à tona com a exibição de O Clone!

A Khadija ficou gostosa, hein manolos?

Tudo me faz lembrar uma época onde tudo era mais legal. Meu pai me dava 1 real e eu achava aquilo uma fortuna: dava pra comprar um saquinho de pipoca, dois gelinhos, um pacote de halls e seis balas. SÉRIO! Hoje eu vou comer uma porra de uma espiga de milho dura e com uma manteiga que mais parece Diesel e o tio cobra dorreal. Apaputaqueparéu!

Foi a partir daquela novela que eu descobri que há um lugar onde narigudos podem casar, e mais de uma vez. O Said cata a Jade e a Rania ao mesmo tempo, come cada uma um dia sim um dia não – para não enjoar – e ainda catraca a Maysa! Outro bocó lá gordo me canta a Latiffa, linda como o diabo! E eu aqui, no Brasil, jogado ao vento.

Acho que vou me tornar muçulmano e assumir o nome de Khaled al Faseq e me mudar para o Marrocos. Talvez eu nem sofra preconceito, porque o nariz e a barba são parecidos…  salaam alaikum!

Desligando a TV, começo a minha debulhação nerd jogando modernos jogos de Super Nintendo no meu computador. Guerreiros, magos, ninjas e um prisma demoníaco de criaturas estranhas invade a minha vida, me transportando para lugares onde eu posso voar. A qualidade gráfica é contagiante, não? Eu passo a me sentir na Idade Média, guerreando contra ogros, trolls e demônios do reino vizinho.

EXCITANTE!!!!!!!1

Outra coisa legal pra fazer em momentos tediosos como o que estou passando é comer. O problema é que mamis é do tipo de mulher que fala “quer comer mousse de maracujá? PAU NO SEU LOLÓ! MWAHAHAHAHA”, o que faz com que eu me alimente daquela água que sai das latas de milho, ovos crus e cocô de tartaruga. De vez enquando, tem arroz e uns pedaços de cetim.

Mentira, se fosse assim eu não estaria tão gordo!

Com o fim da faculdade, pelo menos eu me dedico menos ao alcoolismo. O problema é que o alcoolismo é muito legal, sabem? Penso até que uma cerveja faz todo o tédio ir embora, tornando o seu cérebro, automaticamente, uma metralhadora de felicidade, que exala feromônios dos melhores tipos e transmite em infra-vermelho canções do É O Tchan.

Enfim, se vocês quiserem me tirar dessa situação, é simples. Peçam pra meu novo chefe, este grandessíssimo filho da puta, me contratar de uma vez por todas e me levem para sair. Pode ser até para a quermesse dessa igrejinha sem-graça perto da sua casa, pra doar sangue, pra ir à feira ou para passear com o seu cachorro. Se quiser transar, tudo bem, mas tenha certeza de que você não tem nada parecido com um pênis, porque, pelo menos com relação a isso, eu não quero sair da rotina!

Post tedioso, não?

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5 Comentários

  1. Vai ser realmente uma pena vc não ir ao JUCA.
    Quando eu voltar, prometo…a gente faz um tour pelo HC já que vc me lembrou que está na época de eu doar sangue, dps subimos para a Paulista para ver o filme dos Mamonas, e enfim…a gente fica pagando de cult na livraria cultura,
    E se vc quiser arriscar a sua vida vindo até Os, eu deixo vc passear um pouco com o Noah. Um pouco, pq pra variar, tb tenho ciúmes dele! hahaha brincs drics…

    bjo te amo e kct vc devia ir no juca pff =/

  2. Cara, Holy Shit! Jesus, Mary and Joseph!

    Quase um Bukowski pós-moderno (já utilizando uma expressão que você disse desprezar), você conta a miserabilidade do tédio e da falta de grana de uma forma ”pop” e divertida.

    Como diria Pascal, oscilamos entre o tédio e a alienação. Para ele, somos todos vazios ”a priori” e desprovidos de valor intrínseco. São nossas ações que nos dão valor e sentido. Por isso agimos: para fugir desse vazio que ameaça tomar conta de nós cada vez que nos entregamos ao ócio. A alienação para ele é isso: quando fugimos do nosso sentimento de vazio agindo e dando algum sentido às nossa vidas.

    Gostei da postagem. Fico feliz em ver que o tédio alheio possa ser capaz de produzir algo de boa qualidade.

    Abraço

    • Raul, sinceros agradecimentos por quase me comparar ao Bukowski! Acho que ele conseguiria me entender!

      Não sei se é pior ser entediado, produzir algo ‘de qualidade’ mas estar nessa merda ou ser alienado! Enfim, vou assistir aos Power Rangers.

  3. vamos ali doar sangue?! hahahhaha… adorei! aproveita o tédio e mata a gente de rir! =P

  4. cara se tem uma cara de árabe!rsrsr bj


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