Animaizinhos de estimação

O Gotenks é malaco pra caralho!

Vou aproveitar o meu último fim de semana de férias para escrever aqui. As visitas estão raras, acho que as pessoas realmente acharam que se livraram do Quengaral. Mas não é assim que funciona, bando de bastardos imundos e tísicos.

Na verdade, esse post ia ser em vídeo. Já há algum tempo eu planejo fazer algo gravando na minha bela câmera Pentass (ou na minha webcam mesmo), mas tenho vergonha de ser pego pelos meus pais falando palavrões e obscenidades trancado no quarto. Tenho medo que a família pense que eu sou um daqueles caras que coordena ataques de ódio pela internet, ou que mostra o pênis para garotas gordas que adoram ver pica pela internet. E como eles nunca saem de casa, fica difícil. Meu irmão ama absolutamente tudo o que eu faço, então se ele visse eu gravando algo, provavelmente ele iria querer assistir e falar para a minha mãe que eu falo palavrões um tanto quanto sujos.

De qualquer forma, acho que quem escreve e faz as pessoas rirem tem mais talento que um stand up guy, porque eu tenho menos recursos, menos caretas, menos feiúra. É só o meu texto. Enfim, ainda vou fazer essa merda, talvez quando eu me mudar para o Japão (ok, quando eu comprar um barraco em Seropédica, melhor assim?).

Adoro esse nome. Seropédica. Me lembra pé, e tem gente que não gosta de pé, mesmo após um banhinho que tira todo aquele cheiro de parmesão que empesteia os quartos dos trabalhadores.

Desculpem toda essa brisa. O tema que me fez sentar e escrever hoje é um dos muitos traumas que permeiam a minha personalidade: eu nunca tive um bicho de estimação legal.

Muitos falam de seus gatos, cachorros, avestruzes e unicórnios alados e do amor incondicional que sentem de seus bichinhos. O problema é que meu pai odeia cachorros. Eu acho que até hoje ele não entende que os pobres canídeos têm nomes, criados pelos seus donos humanos. Ele consegue ser ríspido com um cãozinho recém-nascido sem pelos gritando “sai daqui, cachorro”, pois aquele pedaço inerte de vida pode ser uma ameaça ao meu irmãozinho – porém, é o contrário, já que meu irmão acha qualquer coisa mole e vermelha suculento.

Digo isso porque meu pai, por mais cangaceiro nordestino que seja, sempre foi muito superprotetor. Ele pensava que as facas de plástico que vinham no rocambole de morango da Pulmann poderiam ser a arma perfeita para um seppuku como os feitos pelos samurais lá de Kyoto. Portanto, um cão seria como, sei lá, um cérberus, uma ameaça do demônio à minha saúde.

Sendo assim, os bichos teriam que ser muito inofensivos para que pudessem não causar nenhum transtorno a mim.  Logo, meu primeiro bichinho de estimação foi algo parecido com isso:

O nome dele era Priscila

O nome dele era Priscila

Obviamente, sofri bullying por passear pelas cercanias da Rua Santa Cruz com um lixo de ‘animal’ como esse, pois os poodles das meninas do Arqui, por mais inúteis e ovomaltinescos que fossem, tinham patas, não rodas. Meu cachorro era uma salsicha colorida feita de petróleo, diacho!

Exciting!!!

Ok, o próximo passo foi tentar um bicho vivo. Mas um bicho de verdade, disse ao meu pai. E não podia ser uma formiga, nem uma lagartixa, pois eu considerava os pobres animais indignos da minha presença de filho único com cabelo de tigela e coletes jeans de gosto questionável. Sendo assim, meu pai comprou um aquário, com três peixes pequenos e absolutamente entendiantes.

Aliás, peixes dourados não são bons bichos de estimação (ah, vá), pois não têm afeto nenhum por você – aliás, peixes não sabem o que é afeto ou qualquer algo que não seja comer e cagar -a ração ser cara pra cacete e não dá nem pra alimentar o bicho pra comer ele depois, caralho! E tipo, eles morrem abruptamente, não dá pra saber se tá doente, se tem fome, se está explodindo de tanto comer, sei lá. Dá um mês e o bicho tá lá, boiando. E minha mãe não deixava eu fritar.

Um outro bicho que eu tive foi o bichinho virtual. Esse, pelo menos, morria duas vezes por dia, mas eu pegava um palito, cutucava um botão na parte de trás dele e ele voltava tipo Jesus, mas em menos de três dias.  Mas o tamaguchi lá também era como o cachorro de rodinha: o afeto que ele tinha quando você dava papinha pra ele era falso, dava dois minutos ele ficava puto e cagava tudo. E também, mesmo ressucitando várias vezes, aquela merda quebrava rapidinho.

Daí, outro dia, tava pensando em um bicho de estimação que eu ganhava todo domingo – como a feira aqui era aos domingos, esse é o porque, mas isso ‘vareia’. Enfim, vocês se lembram daquela porra daqueles pintinhos coloridos que vendiam na feira?

Tive cerca de 3200 desses aqui

Manolos, eu tive DEZENAS daquelas merdas! Alguém poderia me dizer por que eles morriam tão rápido? Era porque a tinta fodia eles ou porque a gente ficava entediado e dava comida até eles triplicarem o peso em pouco mais de quatro horas e explodirem em bosta? O normal pra mim era comprar o pinto no domingo na hora do almoço, ficar com ele dentro de uma caixa de papelão cagada assistindo às Olimpíadas do Faustão e no dia seguinte, voltar da escola de manhã e saber que a mãe tinha jogado o bicho no lixo. Apesar que teve um – rosa, por sinal – que durou até uma quinta-feira, mas eu não gostava dele, pois um ter um pinto rosa faria com que eu me tornasse uma menina e meu pênis apodrecesse e caísse.

Há dez anos, meu pai comprou um papagaio e minha mãe comprou um jabuti. Sendo assim, há muito tempo convivemos com dois bichinhos. O primeiro tinha até potencial para ser uma fonte de afeto animal, mas o problema é que inexplicavelmente essa ave verde filha duma puta me odeia. É só me ver que o bicho, criativamente chamado de Louro, começa a bicar a gaiola chapiscada de merda verde dele e dirigir olhares de fúria à minha pessoa. Se um dia meu pai soltar o Louro, pode ter certeza que a minha jugular estará em perigo. Meu pai não é mais superprotetor comigo, então foda-se se eu me machucar, o papagaio precisa ser livre =)

Vá ao caralho com a liberdade. Por que comprou ele em vez de deixá-lo transando com uma psitacídea lá na porra da Serra do Navio?

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Antigamente, meu pai gostava de soltar o papagaio pra tomar café com a gente, até que ele viu que essa parte de mirar na minha jugular não é um dos exageros que eu publico aqui.

Sobre o jabuti, compramos ele porque minha mãe, no fundo, queria ser uma curandeira, um xamã, uma dessas porras que curam doenças com teorias e práticas absurdas. Segundo ela, ter um jabuti curaria a bronquite que me afligia na minha infância. Por quê? Ah, porque o filho da Rosilene, da Marilene e da Josilene se curaram assim. Ah, se curaram a minha benga, mas enfim, minha mãe comprou o bicho, que foi batizado como Guita. Eu prefiro chamar o verdinho de Gotenks, assim como o meu irmão, mas a minha mãe diz que o bicho é fêmea e esse nome é estranho. Enfim, não fui eu que pus o nome em um filho de Andrey Patrick, mas é melhor pular essa parte…

Enfim, o Gotenks não demonstra gostar de ninguém. Ele não corre até a porta quando eu chego e muito menos lambe os meus sapatos. Aliás, ele passou os últimos 15 dias embaixo da cama da minha mãe, meio que hibernando. Deus, um bicho de estimação que hiberna! Enfim, não tenho nada contra o bicho, mas meus pais deveriam ter escolhido melhor, não?

Apesar que esse bichinho me fez chorar uma vez, pois é de se esperar que uma tartaruga jovem seja alvo de pisões de pré-adolescentes infantis. Pois é, quando eu usava aquelas botinas de skatistas, eu arregacei com a perna do bichinho, e isso me machucou muito. Enfim, agora ele está bem, e pelo menos não sente raiva de mim como aquele papagaio de merda.

De qualquer forma, eu acho que dei azar. E só para deixar claro, tenho alergia a gatos. Por isso nenhum dos felídeos egoístas foi citado. Enfim, pelo menos tenho o meu irmão, que corre quando eu chego, me acorda pulando em mim e ainda sabe fazer alguns cálculos matemáticos simples.

Boa volta às aulas, porra!

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5 Comentários

  1. O jabuti ao menos mostrou a cabeça pra você tirar a foto, isso é muita consideração da parte dele para contigo.

    • Sem dúvidas, pelo menos ele é o bichinho mais solícito que eu já tive.

  2. Pô, grava um post em vídeo no meio da madrugada aí! Não esquece de mandar umas mensagens em japonês!

  3. Huaheuhauea Adorei esse post.
    Tbm nunca tive bicho de estimação.. Tive um cachorro q minha mãe deu pra vizinha, outra que morreu precocemente e um passarinho q morreu logo tbm… Triste!

    Adorei o jabuti! (:

    bjo

  4. Eu tenho a Biju!! Ela corre quando eu chego, pula que nem uma mola e lambe tudo que vê pela frente! *.*


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