E aí um japonês veio ficar aqui em casa

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Só tive que censurar as tetinhas do meu irmão

Será que vocês sentiram falta do Quengaral? Alguém pelo menos se lembrava dele? Não? Tudo bem.

Tá muito frio, então eu resolvi escrever alguma coisa aqui.

Vou contar pra vocês uma história meio velha, mas que aconteceu bem depois do longo tempo sem postagens neste blog. Um tempo atrás, eu fui pro Japão. Acho que contei algo do tipo pra vocês. Daí, um dos meus amigos simplesmente teve a ideia de vir para o Brasil e visitar todos os amiguinhos deste país tropical. Um deles sou eu. Esse menino – um simpático japonês chamaddo Satoshi Kawamorita – passou por poucas e boas no nosso país. E é das aventuras do Satoshi que nós vamos falar hoje.

Primeiro: o apelido do menino é Morimori. É por causa do sobrenome dele, acho. E é dessa forma que eu vou me referir a ele de agora em diante.

O Morimori foi um dos participantes mais famosos do programa de intercâmbio que eu participei. Tudo começou com uma dança que o meu grupo de brasileiros criou pra ele: era uma sequência previamente conhecida como “a dança do açougueiro” por aqui – no entanto, ele não sabia disso e ficou bastante feliz com o fato de que um grupo de sulamericanos bobos havia criado aquilo em sua homenagem. Daí, a cada vez que a gente via o japa e começava a chamá-lo, ele já ficava a postos, dançando com pernas pra cima e pra baixo. Se a gente deixasse, ele ficava lá dançando por 18 dias, se alimentando com algum tipo de sonda intravenosa e ingerindo água da chuva.

Como a nossa dança fez o Morimori ficar famoso, eu acho que ele meio que se sentia grato à gente. E por isso, ele visitou todo mundo da delegação, da Bahia ao Rio, passando por Goiânia e com uma escala no fabuloso bairro do Sacomã, o simpático lugarejo onde fica a minha maloca.

Chegando aqui em casa, o mais legal foi o tremendo choque cultural que rolou entre meus pais, que sabem tanto inglês quanto um mamute sabe pilotar um ultraleve, e o pobrezinho do japonês, que nunca tinha visto uma família comer tanto. Outra coisa: minha mãe gosta de pimenta. Ela coloca essa porra no arroz, na carne, no espaguete, no café e no pudim. Eu até já reclamei pra ela, disse que não vai pimenta em quase nenhum desses pratos e tal. Mmas ela, basicamente, quer que o mundo se foda. Chegando aqui, o Morimori foi recebido com um almoço brasileiro. O mais legal é que os japoneses são muito, muito polidos. Quando eu perguntei o que ele achou da comida, a resposta dele foi simples: “eu achei o rango um tanto quanto… temperado”.

Minha mãe é legal, só precisa pôr menos pimenta no pudim

No primeiro dos três dias que o mano ficou aqui, ele tava parecendo um zumbi. Acreditem, era só ficar cinco segundos sem falar com ele que ele começava a dormir. Parecia o Chaves em um episódio qualquer: o Morimori começava a fechar o olho e a cair no chão. A gente foi em Campinas dar um rolê e ver uma galera que ele conheceu no Japão: na volta, estávamos esperando o metrô na estação Paraíso e ele começou a se agachar e dormir. Quando chegamos em casa, ele percebeu que tinha perdido a sua câmera digital, que tinha caído do bolso dele enquanto ele tirava uma sesta na plataforma. Detalhe: essa foi a segunda câmera – a primeira havia sido furtada por ciclista no Jardim Botânico do Rio de Janeiro.

Como eu sou um menino bastante ocupado, que trabalha bastante, tive que deixar o japa por muito tempo sob a custódia dos meus familiares. Em um dos jantares apimentados aqui, meu pai teve uma ideia bem imbecil: dar álcool para o japonês para ver o que aconteceria. O gênio simplesmente colocou um pouco de CONHAQUE DOMUS, de uma garrafinha que estava na estante desde o nascimento da Gretchen, no copo de Coca Cola do Morimori. E caprichou. A sorte é que o japa não foi muito a fundo no goró – senão, era provável que o brincalhão do meu pai tivesse que levar o Morimori pra comer um sashimi de glicose aqui no Hospital Heliópolis.

Outra coisa pitoresca foi a vontade do japa de comprar uma revista de mulher pelada. Lá no Japão, os filmes e as revistas de putaria são censuradas. As genitálias dos personagens são cobertas com aqueles mosaicos que ficam na cara das pessoas que não querem se identificar. Deve ser um tesão e tanto ver um mosaico fazendo movimentos repetitivos na direção de outros quadradinhos cor-de-carne. Enfim, compraram uma Sexy da cavala da Viviane Araújo pro menino. Se ele quiser cobrar por olhadinhas na revista, certeza que ele faturará bons ienes lá na cidade dele.

A Vivane Araújo é feia perto da beleza do ex dela. VEESH!

Outra: o pessoal aqui na rua não está acostumado a ouvir pessoas falando outras línguas. Eles têm sérios problemas para falar português, inclusive – eu tenho um pouco de dificuldade para entendê-los, já que a fala deles é atravessada por guinchos e gritos sem sentido conhecidos como “vaia cearense“. Enfim, num dos dias que eu estava fora, um dos caras que viajou comigo e também conhecia o japa veio buscá-lo aqui em casa para levá-lo ao Instituto Butantan. No caminho, um do cangaceiros virou pro meu amigo brasileiro e perguntou, no dialeto dele:

– Ei, macho! Pergunte aí a ele como é que fala RAPARIGA em japonês!

Obviamente, a resposta do japonês foi ininteligível. As únicas coisas que eu aprendi em japonês foram utilizados para xavecar menininhas orientais. No fim, o saldo foi positivo. Minha mãe sente saudade do Morimori e fica falando dele sem parar – a comida continua apimentada, porém. No fim, ele ainda me deu um presente muito legal. Dá até pra eu fingir que sou naturalizado =)

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Enfim, quando outros amigos vierem, eu conto mais. E tentarei ficar menos de nove meses sem escrever, prometo!

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5 Comentários

  1. UHAUHAUAU Eu ri rapaz, ficou engraçado
    Mas espero ouvir mais causos dessa história pessoalmente.
    Abaraços !

  2. poxa adriano! fantastico esse post! xD]queria ter visto o japa no meio dos nossos conterraneos! xD

  3. Ensinaram a pornografia, o alcoolismo, e o que mais pro rapaz? Haha, Muito bom!

  4. to comentando só pra vc postar mais kk flw


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