O sabor brasileiro…

Aproveitando as árvores que caíram sobre a PUC e nos deixaram sem aula e uma pauta que surgiu away na minha cabeça, posso reservar uma hora do meu corrido dia na semana para escrever idiotices!

Hoje venho aqui para falar sobre o sabor brasileiro… surpreendente… o melhor… 

Dolly Guaraná!

 

Sem racismo: que mina feia!

Sem racismo: que mina feia!

 Afinal, quem nunca comprou, em um momento de extrema miséria, uma simpática garrafa de 2 litros por R$ 2,00?! Ou pior, quem nunca repetiu o combo ‘1 Dolly + um churrasquinho grego’ por R$ 2,50?! Afinal, estamos em um país de classe média baixa, sendo no mínimo OTIMISTAS E ALIENADOS. Tá ok, um país de famintos. 

De qualquer forma, este humilde refrigerante exprime algumas mazelas do nosso povo. Fundada em 1987, bem antes daquela Ovelha que plagiou o nome da marca, a Dolly começou em um fundo de garagem. Naquela época, o Sr. Doliésio da Silva Sérgio cansou de trabalhar para os outros (ele havia sido tenente na época do Regime Militar e adorava torturar comunistas caracterizado como a drag Dolly Kierr) e decidiu fazer um refrigerante utilizando o ácido sulfúrico da bateria de seu carro, adicionando gotas de Ki-Suco de Guaraná. 

Doliésio e seu concorrente

Doliésio e seu concorrente

Para finalizar o seu plano maléfico, Doliésio plagiou Chaves, produzindo um refrigerante de H2SO4 e Ki-Suco, que parece Guaráná Antarctica, mas que tem gosto de esperma de golfinho. Depois disso, passou a lucrar horrores com o plano Cruzado de José Sarney (que fez com que uma garrafa de 250 ml de Dolly custasse Cr$ 3 000 000), acumulando dinheiro suficiente para pagar todos os seus 3 funcionários e investir em propaganda.

 Seu primeiro objetivo foi trucidar uma pequena empresa, chamada Coca-Cola, que assim como a Dolly surgiu estranhamente: a partir de um remédio para caganeira que ficou gostoso pra caralho, fazendo com que o criador do refri, o Mr. Peter Coke, ter uma overdose e acabar tendo, pasmem, uma caganeira lazarenta. De qualquer forma, Doliésio foi incrivelmente estúpido no seu argumento destrutivo: segundo a Dolly, a Coca-Cola tinha cocaína e viciava as pessoas. A campanha não surtiu efeito, pois TODOS sabiam que estavam viciados em farinha e era difícil pra caralho parar. E o pior, Ácido Sulfúrico não causa tanta dependência assim.

 Mesmo assim, após Sarney o refri ficou barato pra caralho, e a Dolly continuou crescendo, pois todos que comem um dog pra economizar uma grana tomam Dolly, para manter o nível de alimentação em franca dependência e conseguir juntar o troco e pagar a lan house. A ideia de deixar o Cristo Redentor verde também foi cogitada, mas Fernando Collor não autorizou.

Uma grande aliada  — e popular, nojenta e kitsch como a Dolly — foi a RedeTV!, surgida no início desta década e disposta a tudo para conseguir uns trocados por segundos de propaganda. A partir da TV, passamos a ver como o brasileiro, tentando imitar o americano, acaba fazendo um dos espetáculos mais RISÍVEIS da face da Terra.

 Como não foi possível deixar o Cristo Redentor verde, Doliésio decide alfinetar a Coca-Cola (que criou, acho, o Papai Noel vermelho e sadio), fazendo um velhinho verde ridículo: como o do vídeo a seguir. As propagandas da Dolly são tipo aqueles filmes indianos, saca? Eles querem imitar os Hollywoodianos e fazem coisas exageradas. Por exemplo, a Coca-Cola faz isso. A Dolly faz isso:

 

   

Eu sou o Dollynho, porra!

Eu sou o Dollynho, porra!

 Para piorar, inventaram uma porra de um mascote. O Sr. Doliésio, criativo como sempre, contratou alguns publicitários da Unibero, que, pasmem, demoraram alguns meses para criar uma garrafinha maléfica, o Dollynho (nome igualmente criativo). Esporadicamente, Dollynho aparece nas propagandas (SEMPRE na RedeTV!: NINGUÉM, nem Sílvio Santos se atreveu a colocar tremenda estupidez em sua boçal programação), contracenando com crianças idiotas, ex-BBBs e plagiando Super Mario:

IMPORTANTE: CLIQUE AQUI! É RIDÍCULO! Doliésio Jr., que cresceu na indústria de seu pai jogando Super Mario Brothers, pagou um colega seu, webdesigner, para fazer o jogo mais babaca da História: Super Dolly World!

 É muito risível, falaê.

 Para fechar. Em uma época de uma fraca afirmação nacional, com direito de represárlias do Brasil aos EUA (olha que foda!), mais uma declaração patriótica do Sr. Doliésio ao seu país!

 

 Ou não!

 Qualidade aprovada! Que merda!

 PS: Mande seu currículo para o Sr. Doliésio! Trabalhe com a Dolly! É SÉRIO!

 :* 

 

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Iguana revisited #3

Estou sem tempo pra escrever — panorama que, provavelmente, continuará por um bom tempo com a volta ao maconhal à PUC. Por ora, releiam (ou conheçam) um dos top posts do semimorto Iguana sem Estilo. Vamos lá!

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Top 5 – merendas saborosas

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Como não falei muita coisa de mim até hoje – não tive a decência de fazer um blog sério – não disse que estudei em escolas municipais do longínquo ano de 1995 até 2005. Época que convivi com pessoas bonitas, educadas e instruídas para o bem de todo o Brasil, mas isso fica para um dia qualquer.
 
O que interessa, meus amiguinhos, é que durante este período nos alimentavam durante o período escolar. Sim, pessoas da Avenida Paulista e arredores, eles distribuem lanches nas escolas, não tem cantina e coisas do tipo. E eu tava lembrando das agradáveis situações que às vezes a gente passava na escola: a merenda era de excelente qualidade. Hoje, arrebatado pela nostalgia, tive vontade de compartilhar com todos as suculentas iguarias que nos enfiavam goela abaixo:
 
#5 – A laranja – ‘Nossa Dedé, o que uma laranja tá fazendo nesta lista?’, perguntou meu irmão. O problema era que essa simples fruta cítrica era tão ácida, mas tão ácida, que a laranja do Sacomã é hoje utilizada como vinagre pelos habitantes do bairro. Eu parei de comer laranja por alguns anos devido a um furúnculo na ponta da língua que a deixava tão escamosa quanto o iguana que decora o blog. Me fodi.
 
#4 – A maçã e a banana – Voltando às frutas, lembrei que às vezes a Marta Suplicy  nos presenteava com uma dessas peculiares e exóticas frutas como sobremesa. Na tua escola, seu viado, tem pudim e sorvete de creme de sobremesa; no Sacomã, frutas.
 
Fruta, bah! Fruta faz bem a saúde e não tem salmonela. Não entope as nossas amadas artérias e vasculares afins. Mas o problema não era esse. As frutas que nos davam apresentavam pequenas putrefações, que faziam com que o Thales, um coleguinha nosso, peidasse pra caralho. Houve um dia que o Cocrete (o Thales não gostava de ser chamado assim, mas a gente mandava ele se foder se reclamasse) bufou tanto, mas tanto, que tivemos aula no pátio, para que suas bombas de metano e maçã podre se dissipassem com mais facilidade. Para fechar, fazíamos épicas batalhas com as maçãs (com a banana pegava mal): dividíamos as 500 criancinhas em dois grupos, um de cada lado do pátio, e começávamos a atirar com toda a força. Até naquele lugar eu levei maçã, maaano.

 #3 – Sanduíche de patê

 O problema deste pitoresco lanchinho de patê – aquilo, feito de presunto, que mamãe põe na sua torradinha, veado – é a procedência dos ingredientes que as velhas merendeiras utilizavam, pois ele era de salsicha, segundo a tiazinha merendeira, mas parecia de presunto e tinha gosto de cachorro.
Como desde criança eu curtia esse negócio de jornalismo e tal, perguntei para a Filó, minha Tiazinha merendeira favorita, do que era feito o patê. Aí ela me disse, ‘num fala pa ninguém não, viu, fio? É de salchicha, mas a gente botamo uma aguinha pra rendê, neh?’. Nada de mais, exceptuando-se o momento em que eu, já longe da Tia, ouvi o grito ‘Zeeeefa, segura esse gato que hoje é o dia dele!’
o_O
Sorte que eu nunca tinha comido esse patê miau aí =D
 
 
#2 – O leite – Na época em que minha vida acadêmica começou, principiava-se também a distribuição gratuita de dois quilos de leite em pó por mês, para cada pseudo-delinquente das escolas municipais. Sim, jovem tolo, era de graça. Meu irmão ganha até hoje.
 
Bom, só que nós pensávamos que o governo também só devia dar dois quilos de leite por mês para a cozinha da Escola. O leite era extremamente diluído – percebíamos com mais clareza no dia dos Sucrilhos, que eles metiam na canequinha de leite. Também percebíamos gostos diferentes do leite, além de texturas que fogem ao que eu entendo por leite. Hoje, acho que colocavam cal, farinha, tinta e coisas do tipo. Torço para que nada mais branco (é, aquilo que você pensou) tenha aditivado nossa bebida láctea.

Anyway… and the winner is…

 

 #1 – Os ovos multicor – Eu sabia que você estava sentindo falta dele! ‘O lanchinho que trazia todo dia uma surpresa para você! O único em 14 tonalidades exclusivas de gema! Cada cor tem uma bactéria diferente também… você pode contrair de pênfigo e gonorréia, a aids e ebola!’Esse eu nunca tive coragem de comer. Era um dos motivos pelo qual o Thales (o da maçã) era tão odiado por seus coleguinhas.

As tias desgraçadas viam aqueles com gemas azuis, roxas, púrpuras, verdes, listradas e tal, e não faziam nada. Só falavam, ‘come aí, sa porra’… eu sempre dava o meu pro Thales. Brincávamos também de futebol e o clássico Rolinho-Porrada, motivo para posts futuros.
 
Bom, quer coisa mais sem estilo que uma escola municipal? Ainda mais do Sacomã? Eu teria medo e sairia desta merda de blog o mais rápido possível.